
Por esses tempos, andei por caçar a noite, para abrigar a inspiração que trago em meu peito. No vazio do silencio dou vida a um sonhado mundo instantâneo, repleto de flores, cores, perfumes e primavera. Lugar esse, onde me encontro e me perco, embelezado por entre o caminho que escolhi trilhar, lado a lado com o Amor, numa sintonia incessante, acompanhando os passos da tão amada felicidade, respirando iludibriantemente o ar puro da insensatez.
Ao passo de tal instante, vejo as nuvens carregadas que se aproximam, encobrindo o sol que se dispôs em trazer luz ao meu sorriso, e o mais gélido dos ventos, arrancando arrepios da alma, me enlaçando com o mais indesejado dos abraços…
Então é hora de respirar fundo, abrir os olhos e retornar à escuridão de um teto negro, coberto pela longa madrugada, que por mais uma vez desistiu de permanecer como testemunha de um singelo devaneio, dando lugar a raios dourados que de um jeito tímido, começam a brotar pelas frestas da janela, sinalizando que chegou o momento de repousar mais uma vez de um ardiloso ensaio que por fim haverá sempre de ser a razão utópica de minha momentânea e prazerosa existência.


