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Leitor de Mentes

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O que os pensamentos e o coração não decifram, as palavras dão conta.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Façamos Deus à Nossa Imagem e Semelhança

Postado por David Henrique às 20:54 Marcadores: Coisas e Coisas, Já pensou nisso ?, Na Minha Opinião, Subjetividade

Hoje resolvi falar de Deus. É algo amplamente complicado (ao menos pra mim), mas ainda assim me arriscarei.

A bíblia diz em Gêneses 2:26 “E Deus prosseguiu dizendo: “façamos [o] homem à nossa imagem, segundo à nossa semelhança". Ponto. Assim é pra ser. Sejamos homens e mulheres parecidos com o criador, obvio que esse parecer vai além de algo físico, falamos de conduta, perfeição,Amor, compaixão, valores e tudo mais. Mas o que percebo, é que atualmente, isso tem mudado bastante.

A busca pela essência do criador tem sido distorcida dia pós dia pelos homens, seus interesses e sua subjetividade. Como assim? Subjetividade? Isso mesmo. As pessoas usam o nome e palavra de Deus para se firmarem naquilo que lhe é conveniente, e tal atitude é muito, mas muito golpe baixo!Como assim? Quando você ouve alguém dizendo: “Deus só vai te perdoar se você fizer isso” ou “Deus diz que as coisas são assim ou assado” são exemplos, e isso é muito injusto.

Vejo isso todos os dias, pessoas e mais pessoas querendo julgar nossas ações “baseadas” na palavra de Deus, quando na verdade omitem a forma rancorosa e maléfica que vivem, mascarada com as palavras do Soberano. Ou seja, quando você quer achar alguma coisa errada, que r de alguma maneira taxar aquilo como errado, automaticamente você coloca Deus pelo meio. Estou mentindo? Muitas vezes não pensamos duas vezes ao fazer isso.

Talvez seja esse o motivo para a existência de tantas religiões, para tantas “ramificações” cristãs, As pessoas criam imagem de Deus ao seu bel prazer.

Em uma de suas citações, Evans-Pritchard diz: “[...] Deus ainda reina, mas não governa mais”. Você duvida disso? Eu não! Quantos e quantos Lideres religiosos e governantes, querem nos coagir com suas idéias errôneas, com pouco fundamento, tudo isso, pela “ordem e vontade de Deus”. Fazem d’Ele uma marionete, essa é a verdade. Afinal, quem vai discordar da palavra de alguém que fala em nome de Deus? Pra que? Pra ir queimar no inferno? Ou ser acometido por uma doença que veio sobre nós para pagarmos o preço do questionamento?

Fatalmente, se Deus governasse, o sistema de coisas o qual estamos inseridos estaria essa bagunça? As crianças que passam fome são vitimas do pecado de Adão e Eva ou o mau uso do dinheiro e a ganância pelo domínio que gerou isso?

E quantas e quantas vezes usam a bíblia para se fundamentar em atitudes e pensamentos preconceituosos? Usando partes isoladas, sem analisá-la em um contexto homogêneo?

Pois bem, Que vocês pensem bem nisso, os homens tem manchado a imagem de Deus dia pós dia sem sequer terem consideração naquilo que eles mesmo acreditam, distorcem e modelam Deus mediante suas vontades e necessidades, de maneira absurdamente conivente.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quando um reportér Chora

Postado por David Henrique às 14:07 Marcadores: Coisas e Coisas, Já pensou nisso ?, Subjetividade

Ontem, 1º de dezembro, eu estava assistindo ao record news. estava passando uma reportagem sobre o morro do Alemão, a forma que os moradores estão encarando toda essa onda de tensão que andam vivendo. a reporter Adriana Rezende naquele momento, entrevistara uma família que precisava atravessar a zona de conflito (não sei muito bem se esse é o termo correto) entre policias e bandidos aliados ao tráfico. causava angustia ver a forma que a mãe estava desesperada, tentando acalmar as duas filhas pequenas, que não paravam de chorar,e até mesmo a repórter tentou, sem muito êxito... Quando temor à morte se passa aos nossos olhos, não há como ficar indiferente. Enquanto a repórter entrevistava a mãe, tentando dar continuidade à matéria, ouvia-se o som de tiros, estardalhaços, era necessário a todo instante a equipe se agachar para não serem atingidos, no meio do fogo cruzado mesmo ! Meu Deus! Que Amor a uma profissão ! por que eu acho que nem dinheiro deve ser! Algo de muito risco!

Apesar de toda a formalidade e profissionalismo, foi muito emocionante pra mim ver no momento em que uma equipe da policia pegou a família e foram tentar atravessar, e nesse instante,parece que os tiros aumentaram drasticamente, a cena parecia um filme mesmo!Enquanto os câmeras-man tentavam filmar aquela cena, Ouvia-se o choro com soluços da repórter. perguntei a minha mãe, que estava ao meu lado assistindo, se ela ouviu o choro, mas ela disse que não. de fato, não sei como ouvi, por que não foi tão audível, mas na ponte entre as duas repórteres, ela disse que chorou sim, e que chorou por que além da situação critica, não sabia se algo tinha acontecido àquelas menininhas, pois elas poderiam ser atingidas.

Isso me faz pensar o quanto somos seres privilegiados de sentimentos de Amor, de compaixão, afinal, todos estes sentimentos naquele instante romperam qualquer barreira que pudesse existir diante de uma transmissão, de uma câmera, de toda uma formalidade ética dentro de uma profissão. Aquele momento pra mim foi marcante, por que estamos acostumados a todo dia vermos repórteres nos noticiando sobre os mais diversos acontecimentos, tragédias, catástrofes e tudo mais com uma frieza admirável, então quando um deles se vê num instante irresistível desses, onde a emoção e a empatia afloram às lágrimas, não dá pra não se emocionar junto, sentir junto aquela cena. por isso parabenizo a todos os repórteres (em especial Adriana Rezende), que sempre cumprem seu trabalho com árduo profissionalismo, e não deixam a sensibilidade sempre oculta, mostrando que, antes de profissionais, são seres humanos !
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quando se Estende a Mão [Pequeno diário de estágio]

Postado por David Henrique às 22:20 Marcadores: Coisas e Coisas, Já pensou nisso ?, Subjetividade

Hoje, 23 de novembro de 2010, deu-se por encerrado meu estágio na fundação Novo Caminho.
Lugar onde trabalha a inserção de alunos especiais no convívio social. durante os meses que passei ali, pude rever muitas coisas em minha vida, meus conceitos, forma de pensar e agir, dentre outros aspectos que foram reconstruídos.

Quando a diretora da instituição anunciou que eu ficaria em uma sala com Crianças que vivem em situação de Alto risco, eu fiquei meio que apavorado. obviamente, não por ser alto risco, mas me senti de mãos atadas quanto à forma que eu iria lhe dar com eles, afinal, apesar de apenas observar o comportamento dos pequenos, que vão dos 6 aos 10 anos, sabia que em algum momento, eu teria um contato direto com a vida deles, iria de encontro a cada realidade inibida por trás de cada rostinho sorridente, e isso me assustava, por que a professora havia me contado sobre a história de cada um. Uns tinham sido abusados sexualmente, outros, foram usuários de crack, outros, vivem em casa de parentes, por que os pais estão presos, tudo isso, em uma sala com meninos e meninas com menos de 10 anos...

Dia pós dia pensava: como os ajudarei? como agirei com eles? o que fazer? o que pensar ? O que dizer? Mas graças a Deus, as coisas foram se ajustando. No começo doas observações, eles eram um tanto recuados, não se achegavam a mim, mas ainda assim fui tentando cativa-los, um a um, até o ultimo momento.Consegui. após algumas semanas de estágio, percebi que eles haviam se aproximado de mim, queriam saber quem eu era, o que fazia, e isso me deixou mais a vontade com eles, pois passei a ve-los com outros olhos, a interpreta-los de maneira diferente, de tal forma que em determinados momentos eu acabei por esquecer toda a problemática que ali existia...

A ultima etapa do estágio, se consistiu em trazer à sala uma dinâmica, onde pudesse passar algo de bom para os alunos, então, resolvi trazer A ERA DO GELO 3, que além de divertido, aborda questões familiares, distinção entre bem e mal e tal. Eles amaram o filme! levei pipoca, refrigerante, pirulito, eles ficaram tão satisfeitos e felizes com aquilo que pra nós é tão "bobo", e isso me tocou...O quanto conseguimos reclamar de tudo que temos, do que ainda não temos, o quanto somos de fato futeis. terminou o filme, nós retornamos à sala de aula. Então pedi que agora desenhassem aquilo que mais chamou a atenção deles no filme. entreguei as folhas de papel, enquanto eles procuravam algo para poder rabiscar. para a surpresa deles, eu trouxe uma caixa de giz de cera pra cada um. festa ! tiveram muito mais estímulo para desenhar algum personagem ou momento que eles gostaram! uma pequena aluna perguntou se eles poderiam levar aquela caixinha pra casa,eu respondi que era deles, isso mexeu comigo também, mas uma vez nos deixa pequenos diante de coisas que a vida nos mostra. queria que vissem os olhinhos de felicidade deles...

Hora de retornar. Foi aquele alvoroço, nem eles queriam me deixar sair, e nem eu queria deixa-los.pretendo voltar lá mais vezes, e estou até mobilizando minha família para ajuda-los .não há como não ser tocado de maneira especial por aquelas pequenas jóias! a experiência de poder ajuda-los, mesmo que seja em coisas que aparentam ser banais, é algo que nos faz de fato, repensar em nossas vidas, e parar de reclamar tanto de pequenas coisas que se tornam grandes só pelo nosso ver, quando há outros com problemas maiores, e ainda assim, conseguem deixa-las menores do que de fato são, só por um simples gesto, um sorriso que nos faz perceber a grandiosidade existente nesta vida...


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